Derrotar o golpismo fascista e frear o avanço do imperialismo em São Paulo!

Cada vez fica mais evidente a interferência dos EUA nas eleições brasileiras, tal como o movimento popular e socialista vinha denunciando ao longo dos últimos meses.

A novidade foi a adesão aberta, sem as mediações que ainda restavam no apoio “envergonhado”, das grandes emissoras e jornais brasileiros à política de descredibilização do STF e do processo eleitoral em curso. O que a grande mídia busca com isso é gerar fatos políticos e uma nova onda de rejeição à candidatura de Lula. Temos clareza de que as movimentações que ocorrem no Brasil e em São Paulo são processos dirigidos pelos Estados Unidos em benefício dos interesses do capital monopolista estrangeiro no país. São Paulo, como estado mais populoso e capital econômica do Brasil, é alvo de especial interesse e controle.

As lutas do povo paulistano para alargar a democracia na cidade e no estado, para conquistar moradia digna, trabalho, renda, estudo, podem impor derrotas profundas ao domínio dos monopólios a nível nacional. E, por isso, o nível de tutela que o imperialismo exige para São Paulo deve ser dos mais altos. Não foi coincidência a migração de Tarcísio de Freitas para o estado. Associado ao alto escalão golpista dos militares desde a sua participação na MINUSTAH – operação brasileira sob comando dos EUA para a “estabilização” do Haiti –, Tarcísio aprendeu a gerir territórios em conflito após chacinas perpetradas pelo Exército e por meio de acordos com milícias. Ou seja, aproximou-se e foi treinado sob direção estadunidense no Haiti para atuar de forma semelhante no Brasil.

Fascista inveterado e quadro orgânico do núcleo bolsonarista, nesses últimos quatro anos foi blindado pela imprensa e promovido como uma “alternativa democrática” fora da “polarização”. Esse é o principal motivo para a probabilidade de sua eleição ainda em primeiro turno. Fez um governo pífio, com privatizações tão absurdas que, mesmo com a blindagem do capital e da mídia, foram parcialmente revertidas. Foi uma gestão que aumentou a violência contra a classe trabalhadora e a juventude, em especial contra os jovens negros e negras do nosso estado – desde as chacinas na Baixada Santista, a dispersão da Cracolândia pautada em extrema violência policial, o despejo da Favela do Moinho, e até a repressão à ocupação da reitoria da USP, são todos exemplos do aumento exponencial da política de morte ao povo negro e trabalhador levada adiante por Tarcísio. São muitos os motivos para denunciar o governo Tarcísio e justificar o voto em Haddad 13, como expressão da unidade dos lutadores em defesa de melhores condições de vida e de organização para o povo paulista.

Para deputada estadual, estamos fazendo campanha e votamos em Ediane Maria 50110. Assim como em 2022, seguimos reconhecendo, apoiando e contribuindo com o trabalho do MTST em São Paulo. A maior organização de massas da capital está do lado certo e na vanguarda das lutas do povo brasileiro contra o golpe desde 2016, sem que isso signifique abandonar as pautas locais, como o Direito à Cidade e o combate à violência policial. Para nós, é fundamental que as candidaturas da Assembleia Legislativa de SP debatam o Brasil, mas não abandonem as lutas locais e continuem atuando como organizadoras para a elevação da consciência popular. Esse é o principal motivo para seguirmos com Ediane Maria! Durante o mandato, Ediane organizou a luta contra o despejo da Favela do Moinho, combateu a violência policial nos bailes funk e avançou na luta em defesa dos direitos das empregadas domésticas. No próximo período, buscaremos apoio para a demarcação da APA das Nascentes – uma área de proteção ambiental na Zona Oeste da capital –, com o objetivo de frear os avanços da especulação imobiliária e combater os danos ambientais e de direitos humanos causadas pelas empresas na região. Buscaremos o combate à hegemonia do capital na USP e o enfrentamento contínuo ao aumento da violência policial e ao genocídio da juventude negra no estado.

Para deputada/o federal, indicamos o voto na legenda 50 (PSOL). São muitas as candidaturas que julgamos importantes para a esquerda na atualidade. Erika Hilton 5070 se destacou na luta pelo fim da escala 6×1 e no combate a Nikolas Ferreira no Congresso; Sâmia Bomfim 5000 foi uma das principais parlamentares na defesa da soberania nacional contra o arcabouço fiscal e em defesa do MST. Citamos ainda os nomes de dois novos postulantes do PSOL: Natália Boulos 5010, para dar continuidade à luta do MTST no Congresso Nacional, e Guilherme Cortez 5005 – candidatura impulsionada pelos companheiros da Semear (antiga Resistência e Insurgência), que viveu um expressivo crescimento e avanço programático recente que muito nos empolga e dá esperança. No entanto, frente aos embates públicos promovidos pelas correntes do PSOL e à iminente saída da Revolução Solidária do partido, decidimos pelo voto na legenda. Não nos interessa fomentar disputas internas nem escolher entre tantos bons candidatos nos quais confiamos. Interessa-nos a unidade e a construção fraterna das lutas junto a todo o campo popular e socialista. Tanto o PT quanto o PSOL são partidos que apoiamos eleitoralmente e com os quais construímos candidaturas pelo Brasil; contudo, considerando os desafios da cláusula de barreira e as mudanças partidárias, optamos por fortalecer o partido para garantir as condições de sua independência financeira e política para o próximo período.

Para o Senado, seguimos de forma coerente a linha política que defendemos desde 2016 contra o avanço golpista. É necessária a mais ampla unidade dos setores antimonopolistas, antilatifundiários e anti-imperialistas para construir um programa coeso de ação unitária. Uma frente organizada com esse horizonte estratégico pode e deve buscar aliados pontuais fora do seu campo, ampliando seu arco de alianças, mas deve fazê-lo sob a força de gravidade da atuação unitária e da mobilização popular no entorno de seu próprio programa. Uma unidade “frenteamplista”, como a que se consolidou para o Senado em SP, desmobiliza, desorganiza e fragiliza a esquerda sem trazer ganhos notáveis. Apesar de todas as críticas e discordâncias estratégicas que temos em relação a Marina Silva e à sua associação com ONGs estrangeiras, defendemos o voto 180 para o Senado, considerando seu compromisso histórico com a democracia, com a defesa do meio ambiente e com os direitos de sua base social – algo que não se pode afirmar sobre a outra candidatura dita unitária do campo. Simone Tebet é uma latifundiária do Mato Grosso do Sul, responsável pela sistemática violência contra o povo Guarani-Kaiowá e que esteve do lado oposto em todas as trincheiras de luta do povo até 2022, quando declarou apoio a Lula. Dentro do governo, atua como sabotadora do programa eleito. Tebet não agrega votos ao nosso campo, esconde a candidatura de Lula de seus materiais e redes sociais e hoje depende da base de esquerda para ter relevância política, apostando na possibilidade de capturar a disputa do pós-Lula para um programa antipovo mascarado de centro. Por este motivo, indicamos o segundo voto para o Senado nos camaradas do PCB, da UP ou o voto nulo.

Nessas eleições burguesas, é necessário defender com todas as forças a candidatura de Lula, fortalecer ao máximo os elementos mais populares do seu governo, como a luta pelo fim da escala 6×1, contra as bets e pela punição dos golpistas.

Mas isto não basta para derrotar definitivamente o fascismo. Queremos não só conquistar melhorias reais nas condições de vida do povo, mas fazer com que elas ganhem raízes; e, para isso, é necessário ampliar o nível de mobilização das massas, fazer com que cada vez mais as vitórias do povo não sejam coroadas pela luta institucional, mas sim pela luta da massa organizada. Para além das eleições, a tarefa central dos comunistas e de todos os setores antimonopolistas, antilatifundiários e anti-imperialistas deve ser a de mobilizar o povo, para só assim ser capaz de enfraquecer e desmobilizar núcleos fascistas pelo país, isolá-los e causar derrotas profundas.

Se as eleições são um momento importante para o país, é nas lutas travadas de norte a sul do país, todos os dias, que podemos virar o jogo!

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