O Brasil com Lula, contra tudo e contra todos!
Por: Mateus Engel Voigt
Eleger Lula é um ato de internacionalismo e é fundamental para impedir o domínio completo da América Latina pelos EUA
Avenida Paulista, domingo 18 de outubro de 2026. Em um ato bolsonarista é erguido um míssil inflável com o pedido em inglês “Trump, bombardeie atomicamente o Brasil”. A tal caricatura se junta a presença de bandeiras dos EUA e da entidade sionista (israel) nas manifestações pró-Flávio. E o que elas simbolizam? Um projeto de total entrega e subserviência do Brasil para o imperialismo estadunidense. Portanto, nessas eleições não lutamos apenas contra um inimigo interno, mas uma poderosa coalizão internacional fascista chefiada pelos EUA e o capital financeiro que já fincou seus tentáculos na maior parte da América Latina.
O cenário que leva à essa ofensiva é a crise estrutural do capital, marcada pela queda tendencial da taxa de lucro dos grandes capitalistas e do esgotamento dos mercados, o que exige a reorganização produtiva e social para ampliação da reprodução de seus lucros por meio do desmantelamento de direitos, dos instrumentos de organização das massas como sindicatos, partidos e organizações e pela brutal repressão contra o povo. A isso soma-se a decadência dos EUA como superpotência, que vem perdendo influência para a China e Rússia, além dos custos e desgastes provocados pela campanha aventureira no Irã e na Ucrânia. Diante dessa crise os EUA se voltaram para a América Latina. Aqui buscam garantir o controle dos recursos naturais: petróleo, terras raras, água, explorar mão de obra barata e fazer a festa do capital financeiro e rentistas ao forçar a privatização das empresas públicas dos países latinos e levar ao endividamento junto ao FMI.
Por meio dessas necessidades econômicas os EUA acabam por influenciar o conjunto das relações sociais, políticas e ideológicas do continente. A ação imperialista não se resume apenas às invasões militares do século XX que aparecem nos livros de história ou à ação mais recente do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores em janeiro desse ano. Mas principalmente de maneira indireta, pelo financiamento de grupos e partidos de oposição, formação intelectual das forças armadas, treinamento militar e jurídico, organização dos currículos escolares, manipulação de algoritmos pelas big techs e no âmbito cultural pelas produções hollywoodianas, a dispersão do evangelismo e o sonho do consumo americano.
O fortalecimento da direita brasileira, expressa na sua parte mais radical pelo bolsonarismo é um processo de articulação internacional muito mais profundo. Que remonta desde a difusão de igrejas evangélicas e da teologia da prosperidade como plano da CIA para enfraquecer o catolicismo e fomentar o individualismo ante o senso coletivo predominante nos círculos católicos a partir dos anos de 1960. Mais recentemente, no século XXI, temos a ação de think thanks e das redes sociais controladas pelas big techs (Meta, Google, X) que por meio dos algoritmos moldam o comportamento e imaginário da população brasileira movendo-as ao campo da direita. Sem falar da Operação Lava-jato, seguindo modelo de lawfare, no qual se utiliza o sistema judiciário para realizar o desmonte do Estado e tirar do jogo lideranças que não são subservientes ao imperialismo. Tudo com apoio da grande mídia (Globo, Veja, Folha, Estadão) e os novos influenciadores que fazem parte desse complexo.
A eleição de vários presidentes de extrema direita na América Latina nos últimos anos não é um movimento natural de mudança política da população, mas sim da influência e ingerência direta dos EUA sobre os processos eleitorais. As falas de Trump e do secretário de estado Marco Rubio tratando o continente como quintal dos EUA e explicitando o interesse nos recursos naturais deixa clara essa interferência. A criação do Shield of America sob a alcunha de combate ao “narcotráfico” serve para desestabilizar e controlar militarmente o Cone Sul. Nesse sentido, uma vitória de Flávio significa o alinhamento automático aos EUA contribuindo para o controle da América Latina pelos ianques. Eleger Lula é um ato de internacionalismo e é fundamental para impedir o domínio completo da América Latina pelos EUA.
Nessas eleições vemos no Brasil a manipulação escancarada dos algoritmos para beneficiar conteúdo bolsonarista e diminuir o alcance das postagens pró-Lula, o tarifaço, o controle das grandes mídias vinculadas ao capital financeiro internacional. A esquerda não luta só contra os seus próprios demônios, luta contra tudo e contra todos os setores aliados do grande capital e o poder do imperialismo estadunidense. Ainda assim, chegamos no segundo turno com a disputa em aberto.
Resgatemos os versos eternizados por Gal: “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”. Vamos à luta e às ruas, fazer dessa semana o maior movimento de vira votos e de denúncia contra a intervenção do imperialismo e o entreguismo do bolsonarismo! Por meio da organização coletiva e elevação da consciência das massas venceremos essa batalha.