O caso Turíngia e os limites do antifascismo burguês

O caso Turíngia e os limites do antifascismo burguês

Por: Giovanny Simon

É preciso reconhecer que a Chanceler Angela Merkel manteve uma política severa para prevenir o crescimento político da extrema-direita que flerta com o fascismo na Alemanha. Não só com declarações públicas de peso, mas também vigiando as polícias e organismos governamentais.

Todavia, a AfD (Alternativa para Alemanha), principal representante da extrema-direita, é hoje o terceiro maior partido na Alemanha. E nem mesmo a política quase de princípio de não colaborar e buscar isolar AfD defendida por Merkel tem funcionado.

Vejam o que ocorreu no estado alemão da Turíngia durante a escolha do governo local no parlamento: a CDU (Democracia Cristã) de Merkel apoiou o candidato do FDP (Democrata Liberal) contra o candidato da Esquerda (Die Linke, também forte naquela região). Acontece que no terceiro turno de votações, a AfD não votou no seu próprio candidato, mas no candidato do FDP, também apoiado pelo CDU. De certa forma, foi formada uma coalizão indireta e “acidental” entre CDU/FDP/AfD contra a Esquerda.

Houve, portanto, uma situação constrangedora que Merkel e lideranças do FDP estão procurando reverter e desfazer a coalizão. A AfD vai sair por cima dessa, se fazendo de vítima e taxando os outros partidos de anti-democráticos. É claro que essa coalizão, ainda que não-intencional e nada planejada pelo CDU, não pode ser tomada como puramente acidental. Aliás, a AfD, como partido da fração burguesa-fascista, se demonstra exatamente fiel ao seu compromisso de classe: antes a direita tradicional do que a esquerda. Quem entra em contradição nessa história é justamente a CDU que esbarra nos seus próprios limites de classe e, em última instância, na fração mais extremista da sua própria classe.

Ora, se trata exatamente do limite do antifascismo burguês que, pela sua própria posição objetiva de classe, vai sempre tender a se suicidar politicamente e abrir passagem ao fascismo antes de apoiar a esquerda com uma política mais próxima do proletariado. É o limite de uma posição que toma o fascismo apenas como fenômeno ideológico ou político, sem atacar suas bases econômicas: o capital financeiro.

A lição que podemos tomar da situação é que a esquerda precisa estar disposta ao diálogo para que haja unidade de ação com as frações burguesas antifascistas, com a condição de se resguardar a independência de classe. Os comunistas e revolucionários devem sim construir um amplo bloco de luta contra o fascismo, mantendo seu programa e lutando pela hegemonia na medida em que provoquem o descolamento das frações médias do proletariado, iludidas com o limitado antifascismo burguês, e as atraiam para uma luta radical contra o fascismo que destrua sua base fértil situada na dominação do capital financeiro.

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