Isolar o fascismo para enfraquecer as classes dominantes no Brasil – Posicionamento eleitoral da JCA e do PCLCP – Recife e Natal

Isolar o fascismo para enfraquecer as classes dominantes no Brasil – Posicionamento eleitoral da JCA e do PCLCP – Recife e Natal

A Juventude Comunista Avançando e o Polo Comunista Luiz Carlos Prestes no Nordeste, reunidos em suas bases do Recife e Natal, apresentam à militância, estudantes e trabalhadores o seu posicionamento tático para as Eleições de 2026.

1. Conjuntura Internacional, Soberania e Derrota do Fascismo

Nossos apoios eleitorais derivam da leitura de conjuntura orientada por nossa organização política, a qual caracteriza a conjuntura internacional pela intensificação das disputas imperialistas e pelo acirramento da luta de classes. Destaca-se a atuação  dos Estados Unidos na América Latina nos últimos anos, a defesa incondicional da soberania venezuelana diante do ataque a Caracas em janeiro de 2026, a greve dos petroleiros como parte central da luta pela soberania sobre o petróleo brasileiro e as disputas em torno da hegemonia estadunidense, do conflito no Oriente Médio e da consolidação dos BRICS+ como polo de contestação à ordem internacional unipolar. Essa leitura em nenhuma hipótese se dissocia de críticas à atuação do governo brasileiro quando considerada insuficiente diante dessas disputas. 

Compreendemos que a derrota eleitoral do fascismo e da extrema-direita articulada internacionalmente é uma necessidade concreta e imediata. Um eventual retorno desse setor representaria uma ofensiva ainda mais violenta contra as liberdades democráticas, os direitos trabalhistas e os instrumentos de organização popular. Além disso, isolar politicamente o fascismo é um caminho para enfraquecer o domínio das classes dominantes no Brasil, esgarçando espaços para conquistas sociais e democráticas que possam se converter em uma antessala do socialismo em nosso país.

Nesse cenário, o apoio à candidatura de Lula (13- PT)  à presidência da república constitui uma mediação tática essencial. Reafirmamos nossa independência de classe visto que trata-se de se garantir um “governo de margem” que preserve e amplie as condições de tempo e espaço político para organizarmos as massas e acumularmos forças no rumo do socialismo.

2..Tática Eleitoral por estado

Nesse marco mais amplo, analisamos as candidaturas em Pernambuco. Para o Governo do Estado, indicamos Ivan Moraes (50 – PSOL), tendo como principal fundamento seu alinhamento programático com os princípios da organização, especialmente no que diz respeito à defesa dos direitos sociais, à organização popular e à construção de um projeto político comprometido com a soberania e a transformação social.

Para o Senado, indicamos os nomes de Paulo Rubem Santiago (180 – REDE) e Humberto Costa (130 – PT), mediante a convergência entre alinhamento político e avaliação da viabilidade eleitoral das candidaturas, respectivamente.

Na disputa para Deputado Federal, indicamos Jones Manoel (5050 – PSOL). As divergências anteriormente manifestadas pelo candidato – ao eleger Lula como um inimigo prioritário da classe trabalhadora –, foram objeto de debate, mas não foram consideradas impeditivas para a indicação. Defendemos sua candidatura mediante à compreensão de que sua atuação expressa firmeza política e independência programática diante das disputas conjunturais, além de uma significativa inserção junto às bases, especialmente entre a juventude pernambucana. O candidato tem o mérito de ser um pivô no desmascaramento da demagogia direitista no Brasil, contribuindo significativamente no combate ideológico ao fascismo.

Para Deputada Estadual, indicamos Yasmin Alves (50999 – PSOL), considerando sobretudo, sua vinculação aos movimentos sociais e sua atuação nas pautas de gênero e no combate à intolerância religiosa.

Assim, nossa posição é uma combinação, em diferentes proporções de, coerência programática, inserção nos movimentos sociais, leitura da conjuntura e avaliação da viabilidade eleitoral. A definição e defesa das candidaturas não resulta, portanto, de um critério único, mas de uma análise diferenciada, considerando o cargo em disputa, o perfil de cada candidatura e sua inserção política.

Essa avaliação parte de uma compreensão mais ampla da disputa eleitoral, situada no interior de questões como soberania nacional, luta antiimperialista, organização popular e disputa de projetos políticos. Dessa forma, a dimensão eleitoral é compreendida em articulação com a construção política e com a capacidade de fortalecer a organização e a disputa de projetos societários emancipatórios na atual conjuntura Pernambucana. 

No  Rio Grande do Norte, a mediação tática e a análise de conjuntura levaram a se alavancar as candidaturas do campo popular, buscando intervir decisivamente para barrar a consolidação de um segundo turno dominado por nomes da oligarquia e da direita potiguar para o Governo do Estado. Nesse sentido, a indicação de Cadu de Lula (PT – 13) coloca-se como alternativa para romper o cerco e disputar os rumos do governo estadual.

Para o Senado Federal, a tática adotada expressa uma combinação entre trabalho popular e voto útil de contenção. A indicação do Professor Guilherme (UP – 800) fundamenta-se em sua trajetória vinculada a luta dos trabalhadores de educação, na atuação junto ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e no compromisso com a construção de um movimento revolucionário. Paralelamente, o apoio à candidatura de Samanda de Lula (PT – 131) é assimilado como um movimento tático necessário e com viabilidade eleitoral para assegurar uma representação feminina, progressista e combativa eM um espaço historicamente dominado pelas oligarquias reacionárias do estado.

Nas disputas proporcionais, reconhecemos a existência de inúmeras candidaturas combativas do campo popular que desempenhariam papéis de extrema importância nas respectivas casas legislativas, sendo uma limitação do próprio modelo eleitoral a impossibilidade de contemplá-las pelo voto simutaneamente. Nosso apoio não se baseia em mera escolha individual, busca por uma figura que “nos represente” ou que nos seja simpática. Trata-se de uma decisão pautada estritamente na orientação tática de apoiar projetos que assumem a defesa central dos comitês populares, colocando a classe trabalhadora não como espectador, mas como protagonista de suas lutas. É devido a esse critério que na disputa da para a câmara dos deputados  a candidatura de Natália Bonavides (PT-1311 ) se destaca, devido a seu trabalho de base articulado e seu apoio direto a cursinhos populares e comitês territoriais. No mesmo sentido para Deputado Estadual o nome de  Daniel Valença (PT – 13111)  fundamenta-se na manutenção de um mandato combativo, de apoio a associações e sindicatos, organicamente integrado aos debates universitários, às lutas populares e à construção de comitês de resistência no estado.

3. Critérios  de Definição das candidaturas nos Estados

Entendemos que a disputa eleitoral  não se resume a mera coleta de votos, mas sim uma grande oportunidade para a agitação, propaganda e organização do povo. Para a escolha das candidaturas estaduais a JCA  orientou-se  por

 quatro critérios de apoio:

(1) relativização do peso organizacional, priorizando o alinhamento com o momento histórico e político;

(2) viabilidade eleitoral;

(3) vinculação com os movimentos de massa; e 

(4) possibilidade de alianças táticas, territorializadas ou não.

Em síntese, os critérios locais de deliberação não podem ser dissociados de uma leitura conjuntural mais ampla, ancorada nas leituras do cenário político de toda a organização nos últimos anos, particularmente no que se refere ao núcleo Nordeste, seja em seu plano eleitoral de 2026, ou na prática territorializada que orienta suas intervenções políticas.

Evidente que nossa tarefa não termina nas urnas. A unidade para se derrotar o fascismo precisa caminhar junto com  estruturas de organização popular. Nossa militância defenderá a existência de comitês populares com o objetivo de aglutinar pessoas para a campanha eleitoral, ao mesmo tempo em que mobiliza para as lutas que estão por vir. Em Pernambuco, fortaleceremos a inserção no Comitê Popular de Várzea e, a depender, em outros territórios; no Rio Grande do Norte, impulsionaremos brigadas de panfletagem, colagem de lambes e, na medida do possível, a formatação de novos comitês.

Nas para ruas disputar a vida concreta do nosso povo e mobilizar desejos: pelo fim da escala 6×1, contra a caristia, por aposentadorias dignas e pelo direito de viver com soberania. 

Construir  luta e organizar o futuro!

Juventude Comunista Avançando e Polo Comunista Luiz Carlos Prestes 
no Nordeste brasileiro

                                                                                                                        Setembro de 2026

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