Novo golpe à vista: agora o império vai pela Bolívia

Novo golpe à vista: agora o império vai pela Bolívia

Com a recente vitória de Evo Morales e Álvaro García Linera, o império tenta aplicar o mesmo modelo de golpe brando que tentou implementar na Venezuela. Desde que as pesquisas eleitorais davam favoritismo claro a Evo e Linera, já apontando a vitória em primeiro turno, a oposição começou a afirmar que não reconheceria o resultado caso o Movimento ao Socialismo fosse reeleito.

Logo em seguida militantes de setores extrema direita boliviana, entre eles, o partido Bolivia Dice No, começaram a depredar sedes do MAS, no departamento de Santa Cruz, polo econômico do país, historicamente opositor.

Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral, depois da recontagem dos votos, Evo foi reeleito com 47,7% dos votos, 10,5 pontos percentuais a mais que o segundo colocado, o ex-presidente do partido Comunidad Ciudadan, Carlos Mesa e seu vice Gustavo Pedraza. Segundo a lei eleitoral vigente, uma chapa pode ser reeleita no primeiro turno caso alcançasse 50 + 1% dos votos ou alcançar 40% dos votos e mais de 10 pontos percentuais de diferença do segundo colocado.

O voto no exterior foi decisivo para o resultado: a chapa Evo-Linera ganhou 120,647 mil votos contra 54,568 mil de Mesa-Pedraza.

Todo o processo foi acompanhado por mais de 100 observadores internacionais, entre eles mais de 90 enviados da Organização dos Estados Americanos (OEA), que antes mesmo da divulgação dos resultados oficiais já ecoava as acusações opositoras de uma suposta fraude e pedia a realização de um segundo turno.               

No entanto, a raiz do descontento opositor vem da tentativa fracassada de impedir a reeleição de Evo com o referendo de 21 de fevereiro de 2016. Com uma forte campanha mediática, a oposição ganhou o referendo popular que proibia a reeleição para um cargo político por tempo indeterminado.

No entanto, mais tarde, o Tribunal Supremo de Justiça invalidou a medida, afirmando que a disputa eleitoral era um direito humano e ninguém deveria ser impedido de concorrer. Sendo assim, Evo poderia disputar sua reeleição para um quarto mandato.

A falta de unidade entre os distintos setores opositores, os escândalos de corrupção envolvendo o principal partido da oposição – Comunidad Ciudadana, o desespero de setores de extrema direita que partiram para a violência e a falta de uma base social sólida já previam o fracasso do setor opositor.

Por outro lado, apesar do desgaste de 15 anos de gestão, Evo e García Linera lograram uma Bolívia que saltou da lista do país mais pobre da América do Sul para se tornar a nação que mais cresce a cinco anos consecutivos na região, com índices entre 4% – 6%, apesar da crise do capital.

O índice é um reflexo das políticas econômicas que estatizaram a produção de gás e minérios, aumentando em mais de 300% o patrimônio a estatal YPFB; que interconectaram o país com estradas e as maiores redes de teleféricos do mundo; e que deram condições dignas para a reprodução da vida do povo boliviano: criando um sistema público de saúde (inspirado no modelo brasileiro e cubano), alfabetizando a população e reconhecendo a importância das etnias indígenas para a constituição da nação, declarando a Bolívia como primeiro Estado Plurinacional no mundo.

Essa nova vitória popular de Evo, em meio a um cenário de possível retomada de uma possível plataforma de governos progressistas, socialistas e comunistas na região, com as eleições no Uruguai, Argentina, somados ao mandato de Andrés Manuel López Obrador, no México; Nicolás Maduro, na Venezuela; e Miguel Díaz-Canel, dando continuidade à revolução em Cuba, faz estremecer os interesses do império ianque no nosso continente.

A Venezuela, com 20 anos de resistência, tem sido o laboratório mais recente para as distintas táticas de guerra híbrida desenvolvidas pelo Pentágono.

Os venezuelanos já mostraram que não aceitaram e não aceitarão a deslegitimação da sua democracia e de seus processos eleitorais para em seguida vir um Guaidó autoproclamado. Agora é a vez dos bolivianos, que já estão ocupando as ruas para reafirmar que seu voto vale e que, na base do voto, Evo foi eleito uma vez mais para seguir na construção de uma Bolívia para todos e todas.

Via JCA:http://jcabrasil.org/novo-golpe-a-vista-agora-o-imperio-vai-pela-bolivia/

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