Por que a JCA não lançou chapa ao processo de reabertura do DCE da UFPE?
O núcleo da Juventude Comunista Avançando (JCA) do Recife vê com preocupação o atual processo de reconstrução do DCE da UFPE e a forma pela qual são construídas as chapas que disputarão o pleito. Por isso, nos retiramos da construção do que veio a ser a chapa 2 “Nada Será como Antes” e apontamos, assim, as seguintes preocupações:
1) O processo eleitoral está sendo conduzido de forma apressada (basta ver os CEBs relâmpagos e o calendário de formação e inscrição de chapa extremamente apertado), com pouco tempo para que os grupos estudantis independentes possam elaborar e firmar seus programas políticos para culminar numa chapa que dispute a condução da entidade máxima de representação das/dos estudantes da UFPE. Isso significa que as chapas tendem a representar mais acordos políticos e interesses imediatos do que ideias e propostas genuínas de defesa do interesse do corpo estudantil da universidade;
2) O controle do processo por organizações político-partidárias é um péssimo sinal, que indica um alto grau de aparelhamento.
Além disso, observamos que a prática da construção de chapas é marcada por certos vícios de origem:
A. A preferência por acordos de cúpula (entre as organizações ou até por meio de diretorias de DAs aparelhadas e distantes das bases), como em reuniões bilaterais transformam a formação das chapas em apenas uma negociata formal entre organizações, partidos e DAs, sem que a base do movimento estudantil possa efetivamente incidir nos seus rumos. Pior ainda, sem uma ampla discussão programática e de reivindicações. Essa conformação torna o processo menos democrático e mais aparelhado;
B. A construção de chapas unicamente voltadas para tomar o lugar deste ou daquele coletivo partidário esvazia o conteúdo político das eleições para o DCE, valendo tudo para ser gestão. Não se trata de construir uma candidatura para derrotar a chapa de x ou y partido, mas para construir um DCE combativo e comprometido em defender os direitos das e dos estudantes da UFPE.
C. Apesar de o programa da Chapa 2 ser um dos mais avançados, não adianta ser de oposição se não existe situação, tampouco adianta ou contribui efetivamente para o movimento se colocar como uma “chapa do Correnteza” (se colocar como uma “chapa independente” e não de fato o sendo). É necessário mais que isso. O processo precisa estar nas mãos dos estudantes; o posto de vanguarda ou de hegemonia desse processo precisa ser conquistado pelas bases. A expressão dessa lacuna é que, na verdade, não existe uma real condução com as bases na chapa. De que servem mais de 100 documentos se somente uma cúpula partidária dirige o processo e nem existem 100 pessoas construindo ativamente a chapa? Para vencer a UJS, não adianta ter as propostas mais avançadas e chamá-los de imobilistas. Não adianta querer que o programa seja do tamanho de um panfleto. É preciso que a alternativa apresente uma leitura e propostas concretas para a UFPE: um projeto que não seja genérico e que conquiste corações e mentes.
Por isso, apesar do processo já estar em andamento e a inscrição das chapas já ter sido concluída, apontamos alguns princípios e condutas que dizem respeito a concepção de movimento estudantil da JCA que tentamos levar até o último momento:
– Formação de chapas centrada na elaboração de programa, construída em reuniões abertas e públicas, em que cada estudante, independente ou organizado, tenha direito a voz e voto;
– Construção do movimento estudantil desde a base, com democracia interna e transparência;
– Independência de partidos, organizações, reitorias, chefias, etc.
Acreditamos que só assim seria possível reverter a situação em que se encontra o movimento estudantil da UFPE. Dessa forma, seria possível construir um forte DCE, não um fantoche fruto de negociatas das organizações. Mais que isso, seguindo da forma que se apresenta nesta eleição, o ME da UFPE jamais será de massas ou terá um movimento estudantil orgânico politizado.
Precisamos de um DCE que represente as reais demandas dos estudantes e que cumpra a devidas tarefas da juventude em relação ao movimento real, a conjuntura nacional e da UFPE. Tarefas que uma chapa que pretendia escrever o programa só na última semana não demonstrava ter pensado sobre. Quem tem as melhores ideias não precisa ter medo da verdadeira democracia e da ampla participação.
A JCA defende que as organizações político-partidárias, tais quais a nossa própria, são parte natural e ineliminável da política de massas. Entretanto, quando o movimento de massas depende exclusivamente de sua iniciativa, significa que há um processo de aparelhamento danoso e perigoso impedindo que a base tenha vida própria na política universitária.
A luta pelo DCE não deve ser uma luta para a autoconstrução, mas para o fortalecimento geral das lutas dos estudantes!