Por uma UFSC que seja trincheira de luta contra o fascismo e de organização para avanços nos direitos do povo: a nossa luta é agora!
Considerações da Juventude Comunista Avançando sobre o período recente do Movimento Estudantil da UFSC, suas perspectivas e tarefas na conjuntura em que vivemos
A universidade, o movimento e os antecedentes da última gestão – elementos iniciais
Todo processo eleitoral do Diretório Central dos Estudantes é um momento oportuno para debatermos o projeto de universidade que queremos construir e nossas tarefas enquanto movimento estudantil. Atualmente, o cenário é de crescimento do fascismo mundo afora, revelando-se em sua face mais violenta de retirada de direitos unida à perseguição e à repressão violenta da luta popular. Do genocídio em Gaza ao aumento da violência policial em Florianópolis; de uma política higienista contra as pessoas em situação da rua à criminalização do Movimento Estudantil, o projeto do fascismo e do imperialismo para as nossas cidades e universidades é restringí-las ainda mais aos interesses das elites, visando a salvar o capitalismo de sua própria crise.
Nesse sentido, torna-se ainda mais importante entendermos a universidade como instituição-chave da nossa sociedade. Ao mesmo tempo que ela reproduz a ideologia burguesa e serve de terreno preparatório e de teste de sua política, contribuindo para a formação de quadros burgueses e a geração irrestrita de lucros aos empresários e banqueiros, ela também goza de relativa autonomia, podendo produzir ciência, cultura, arte e lazer a serviço dos interesses do povo. Cabe ao Movimento Estudantil, alçando-se como vanguarda de mobilização do conjunto da comunidade universitária e de todo o povo nesses territórios, defender esse potencial e avançar na construção prática de uma Universidade Popular, onde não só possamos todos entrar e permanecer, mas também utilizemos desse espaço para contribuir para a melhoria da condição de vida do nosso povo, a formação de quadros revolucionários e a um horizonte de verdadeira emancipação humana, na luta pelo socialismo.
É com o horizonte de uma Universidade Popular que seremos capazes de combater o projeto de “refuncionalização” das universidade federais que vem sendo defendido e posto em prática pelo fascismo. A lógica vigente é de asfixia orçamentária, através de cortes do financiamento público, e de promoção de uma resposta supostamente milagrosa: a entrada do investimento privado, muito através das Fundações de Apoio, como remédio para o problema orçamentário; ou mesmo a utilização dos nossos laboratórios e da nossa força de trabalho para produzir uma ciência que será patenteada pelos empresários, a exemplo do acordo milionário da UFSC com a JBS. A defesa de verba pública para a universidade pública, junto à construção de alternativas de grupos de pesquisa e extensão preocupados com os interesses populares; a valorização dos serviços modelo; a calibragem de uma produção científica, cultural e tecnológica que seja alicerçada no que é central ao nosso povo e se oriente e tenha sentido a partir de suas demandas mais concretas: tudo isso é tarefa imediata do Movimento Estudantil.
É nesse cenário do mundo e da universidade pública brasileira, e sob a defesa de que o Movimento Estudantil esteja comprometido com a construção de um novo projeto, que pautamos nossa avaliação sobre o período recente do ME. Sem tecer longa análise, importa para a reflexão do cenário atual do ME retomar a greve de 2024 e como ela teve início, entre pressões e imposições que prevaleceram ante qualquer planejamento, num terreno de maior busca por articulação do DCE junto às bases, construindo o sentido da mobilização com cada curso, apesar da pressa. Lutamos por uma conscientização maior tanto sobre o caráter de solidariedade da nossa greve, apesar de nossas pautas específicas e da luta por elas, quanto sobre a necessidade de nacionalização da mobilização – em cobrança às entidades e órgãos nacionais, desde a UNE até nossa intervenção em importante ato na reunião do Conselho Nacional de Educação ocorrida em Florianópolis. Acontece que nenhuma luta é dada, tampouco cai do céu.
Nesse sentido, destacávamos desde lá, e sempre, a centralidade da disputa junto às bases: lançamos importantes esforços, indo em dezenas de assembleias, nos distintos cantos do campus, para fomentar a politização e organização estudantil para as lutas por vir. Da sua preparação, perpassando muitos momentos difíceis, situações opressivas, posturas inconsequentes e tantos outros problemas, pudemos ao menos ver uma greve que, apesar de suas dificuldades todas, contribuiu para a reorganização do ME. Fortalecemos, sob intenso trabalho à frente do DCE, a reorganização dos Centros Acadêmicos e a consolidação da organicidade de instâncias como o Conselho de Entidades de Base (CEB), ressaltando-o como um espaço essencial (por certo, longe de ser o único) para debates e articulação política dentro do movimento estudantil.
Os desafios/objetivos que já havíamos mirado desde a formação da chapa, posteriormente gestão “A Todo Vapor!” (2023-2024), mostravam-se então em melhor caminho de superação: contra a apatia e os desgastes do ME de 2022, vimos avançar sua reconstrução e a orientação mais firme no combate ao fascismo, o que prepara o melhor tempo de lutas que vemos hoje. Entretanto, o cenário de mudanças no ME em escala nacional e as dificuldades mostradas na concretude da UFSC, também em nosso trabalho, não podem ser deixados de lado.
É fato que a discussão sobre a livre participação e a garantia de vez e voto a todas as pessoas, que nós trouxemos e elevamos a um patamar de maior envolvimento e democratização no ME em geral lá em 2023 e 2024, permitiu ainda o respiro e o avanço de lutas junto às bases, reforçando a referência do trabalho cotidiano e não do aventureirismo eleitoreiro, em sentido de superação dos vícios e do cupulismo que vêm marcando nacionalmente o ME. Cumprimos na greve e no trabalho cotidiano com as bases um papel fundamental na formação de uma nova vanguarda, proporcionando experiências políticas decisivas para estudantes já envolvidos e ampliando a participação de novas camadas. Contudo, problemas ressaltados na greve, oriundos mesmo de limitações nossas e do oportunismo político de outros setores, seguiram pujantes no seu encerramento, na disputa eleitoral do DCE que a seguiu e mesmo em lutas posteriores do ME, até hoje.
Como reflexo de uma maior expressão de práticas nocivas do ME noutros estados que se nacionalizaram e também alcançaram a UFSC, o fratricídio entre as organizações nos espaços do ME estimula um cenário em que disputas por hegemonia e processos de autoconstrução acabam secundarizando a tarefa essencial de enraizar o movimento nas bases. Naquela época, isso se manifestava atravancando iniciativas da gestão que construíamos, culminando em denuncismos e se centrando em um oposicionismo inconsequente, à revelia do amplo trabalho de garantia democrática, de participação da vanguarda do ME junto ao DCE. Hoje, segue vigente no alto grau de fragmentação da esquerda, na reorganização de setores autonomistas e inconsequentes na UFSC ou na fragilização e quase sumiço de outras organizações, fazendo retroceder os diálogos sobre unidade e recaindo com recorrência no ensimesmamento do ME.
Também como manifestação dessa nacionalização preocupante, outros setores organizados e com peso de militância na UFSC, durante a greve, ainda tomavam uma postura que tinha por regra a omissão, a desresponsabilização, o paralelismo e a autoconstrução – aquilo que já apresentamos como “patriotismo partidário”. Isso resultou não apenas na fragilização das lutas unitárias, mas também no afastamento de estudantes que poderiam se engajar, reduzindo a capacidade de mobilização e inserção de uma esquerda coesa no âmbito das universidades e das lutas populares.
Assistimos a um desdobramento de casos similares na disputa eleitoral de 2024, apesar das longas tentativas de construção de um movimento crítico e autocrítico junto a outros setores, visando desde então a construção de uma unidade programática. Concorrendo contra uma chapa de direita dita “apolítica e de estudante para estudante”, por mais caricata, débil e desorganizada que fosse, vimos prevalecer nas outras organizações de esquerda (naquela disputa, Alicerce e Correnteza) o interesse autodemarcatório e de discursos fáceis. Assim, atuando na contramão do que apontávamos como necessário para conseguir revigorar a contraofensiva aos interesses fascistas e à refuncionalização da universidade, ou enfim, na construção de um ME pelas bases, sentindo e expressando suas questões mais candentes. Viamos já àquele momento que se colocarem como oposição à nossa então gestão do DCE, sem autocrítica sincera sobre as lacunas, oportunismos e omissões durante a greve e o período anterior do ME, ou mesmo sem diferenciação programática substantiva que justificasse correr o risco de derrota para a direita – e, mais que isso, seguir apostando no divisionismo –, era erro comprovante disso.
O movimento estudantil sob a última gestão do DCE
Os resultados da eleição, como parcialmente já comentados, vieram acompanhados também de pontos positivos, de um trabalho revigorado da entidade sob uma nova gestão, com ânimo e muitos pontos importantes e acertados em sua política; entretanto, também de percalços e problemas mais profundos no tocante à real organização e massificação do movimento – ainda muito distante do necessário e, cabe dizer, com solavancos e retrações em processos de formação e atuação de base que antes vinham sendo melhor construídos. De todo modo, de maneira geral, temos uma avaliação sobre o trabalho desenvolvido na entidade sob a gestão “Oposição em Movimento: Estudar, Lutar e Permanecer!” que a qualifica como positiva, em certa medida mais aparente, mas ainda limitada em dar passos naquelas tarefas identificadas como fundamentais ao movimento geral.
Destacamos positivamente a maior mobilização e busca por politização no interior do estado, com atividades nos demais campi, continuando movimentações de outros anos que fizemos em parte deles com rodas de conversa, assembleias e passagens em sala, e marcando maior capilarização e mais eventos. Junto disso, a elaboração de uma política financeira a partir das carteirinhas estudantis, que contribuiu para dar maior estabilidade ao funcionamento da entidade; a maior divulgação d’O Canudo enquanto instrumento de comunicação e envolvimento estudantil; e avanços na articulação com a Moradia Estudantil, que culminou em uma importante conquista no início deste ano com a garantia de 1,8 milhão de reais para sua reforma. Políticas essas, ainda que sujeitas aos limites impostos por seu grau ensaístico, que demonstram uma atuação orientada a dar passos para a consolidação de conquistas e trabalhos importantes.
No primeiro semestre de 2025, continuando o trabalho que estivemos protagonizando desde a retomada do DCE para a esquerda, em 2017, tivemos o conjunto do movimento estudantil se mobilizando pela mudança do nome do campus Trindade, na luta por memória, verdade e justiça – com a atenção e chamado para mobilização sobre a pauta pelo DCE, junto do forte trabalho que empenhamos nas bases, na organização de centenas de estudantes. Além de representar a aglutinação de forças na luta contra o fascismo, essa construção pôde ampliar a consciência histórica e política da comunidade acadêmica, trazendo uma contundente vitória para o movimento estudantil e popular ao retirar a homenagem a um capacho da ditadura militar. Outro processo importante se deu na campanha para o 60º CONUNE, marcando a aliança entre JCA e Correnteza para uma disputa mais consequente de nossa entidade geral nacional, apesar das divergências sobre democracia na construção do processo, com nossa defesa de uma abertura mais ampla para a construção no movimento e não centrada nas organizações. Esses processos representaram conquistas organizativas importantes e sinalizaram, em certa medida, uma reativação do Movimento Estudantil na UFSC (no contexto de seu esmorecimento atestado no pós-pandemia).
Ainda assim, nossa leitura geral do período é de que esses e outros avanços pontuais se deram em meio a um contexto mais amplo de desorganização da luta popular. Apesar de iniciativas de unidade entre organizações, do reaparecimento de coletivos e de esforços de reorganização em alguns cursos, o movimento estudantil segue atravessado por fragilidades. Esse momento se expressa tanto no nível organizativo – com centros acadêmicos inativos, fóruns e coletivos em período de reorganização (ainda que seja importante mencionar iniciativas como o Coletivo PCD, a Rede Trans e o Fórum dos Coletivos Negros) – quanto em um plano mais estrutural, ligado à nossa própria possibilidade de travar a disputa enquanto conjunto do movimento estudantil sobre o sentido da universidade e as condições de sua reprodução. E isso tem a ver com as concepções e a proposta e prática de direção por trás do movimento, para além dos ataques que sofremos.
Observamos o agravamento de problemas que impactam diretamente a permanência e a formação dos estudantes: precarização da infraestrutura, cancelamentos frequentes de aulas, uso irregular de meios remotos, falta de condições básicas nos espaços da universidade e deterioração das condições de trabalho docente. Soma-se a isso o contexto social, geográfico e político do estado de Santa Catarina e da cidade de Florianópolis, que dificulta o acesso e a permanência, contribuindo para o esvaziamento das salas de aula e para a evasão estudantil. Outro elemento decisivo é a mudança no perfil estudantil. Hoje, vivemos um quadro onde grande parte das pessoas ingressantes na universidade estão na condição de trabalhadoras-estudantes. Isto é, não mais na lógica de trabalhos informais para complementar renda, mas que dependem em grande medida do trabalho para permanecer na UFSC; que têm neste o momento central de sua vida. Isso implica em menos tempo e condições objetivas – ou mesmo impossibilidade em certos casos – para se engajar nas lutas da universidade e da categoria. Esse processo, combinado ao histórico recente de ataques às universidades públicas e ao aumento da evasão, contribui para um cenário de retração organizativa.
No que diz respeito à condução da gestão, identificamos limites importantes, especialmente no campo da democracia interna do movimento estudantil. Embora as sessões do Conselho de Entidades de Base (CEB) tenham se mantido como espaços relevantes de elaboração política, muitas vezes isso se deu à revelia da própria dinâmica estabelecida pela gestão, demandando protagonismo nosso e apoio de outros setores, organizados ou independentes, para acionar os espaços democráticos de movimento, colocar as devidas cobranças e apresentar alternativas políticas – o que foi feito várias e várias vezes, dada a indisposição ou contornos que a gestão colocava. Entretanto, a verdade é que esses fatores como a baixa aposta em mecanismos de ampliação de participação, a concentração dos debates em espaços pouco massificados (cupulismo) e a pouca abertura para a participação mais ampla dos estudantes na definição dos rumos da entidade se constituíram como marcas importantes da gestão, dificultando conquistas mais amplas aos discentes. E isso tem a ver com concepção de entidade.
Esse problema se expressou também em aspectos básicos de funcionamento democrático: convocatórias de CEB sem divulgação adequada nos canais oficiais; ausência de antecedência que permitisse o debate nas bases; não elaboração ou divulgação precária de atas e registros que não correspondiam ao conteúdo efetivamente discutido. Reiteradas vezes – na verdade, como regra –, essa foi a prática na última gestão. Faltaram, de forma geral, mecanismos que ampliassem a participação: reuniões abertas; chamados para uma verdadeira construção conjunta (e não inserção em coisas já muito prontas); abertura a discordâncias e movimento de acolhimento e autocrítica; comissões e grupos de trabalho capazes de envolver mais forças e estudantes independentes na construção política do DCE.
A busca persistente por tolher qualquer oposição – mesmo quando pouco se apresentava disso –, assim, deixou de lado de princípios e práticas básicas no movimento; ergueu acima das construções e demandas coletivas uma blindagem e reatividade desnecessária, e acabou por prejudicar o desenvolvimento mais amplo das lutas, de um campo avançado, de uma base sólida atuando junto da entidade, em nome do fortalecimento particular de sua organização dirigente. Chamados inflados para atos ou ações de mero protagonismo do DCE, sem a devida articulação prévia e a construção junto às bases, só mostraram uma entidade com mais fôlego de trabalho público, mas sem o necessário potencial de reorganização do movimento. Com isso, muitos dos atos convocados foram pequenos e sem conquistas, inclusive menores em número e capilaridade que algumas sessões do CEB; foram mais centrados em agitar pautas e a imagem da entidade e de organização dirigente do que articular uma luta mais consequente. Isso limitou a capacidade de enfrentamento dos problemas identificados, não por falta de disposição individual, mas pela ausência de uma orientação coletiva mais estruturada. No fim, em um contexto já marcado pela desorganização relativa do movimento, esse tipo de prática contribui para afastar ainda mais os estudantes da entidade e fragilizar sua legitimidade.
A disputa que travamos – e isso com os mais diversos setores (organizados ou não) e seus exemplos práticos de trabalho, não apenas diante das divergências do que a última gestão fez ou não –, centrou-se muito acerca da garantia da democracia do movimento estudantil, do espaço para a contribuição coletiva para a defesa do DCE e da UFSC em uma conjuntura tão dura. Porém, em diversos momentos, o que víamos era a prevalência da uma lógica que confundia a organização (Correnteza/UP) que dirigia a principal entidade do movimento (DCE) como expressão quase exclusiva do próprio movimento estudantil no seu todo, ou ao menos do DCE, dificultando a abertura para divergências, contribuições externas ou mesmo para a consolidação de espaços permanentes de construção coletiva. Mesmo não construindo uma política de oposição à gestão, reiteradas vezes nossas contribuições, experiências organizativas e iniciativas concretas foram ignoradas ou secundarizadas – como a dificuldade de construção da pauta da reforma do Centro de Convivência, com apagamento e apropriação indevida da luta que antecede o trabalho de ambas as organizações e que vínhamos impulsionando junto ao Movimento Negro; da minuta de festas; ou demais trabalhos com os coletivos negros, seja na forma de proposição ou na escolha de quem convidar para as distintas atividades, para ficarmos em alguns exemplos.
Esse problema ficou evidente mesmo em atividades importantes do último período. O Festival Estudantil contra as Guerras, por exemplo, teve grande relevância política e boa adesão ao denunciar o genocídio promovido por Israel e expressar solidariedade à resistência palestina – pauta fundamental diante da escalada imperialista e da barbárie contemporânea. Ainda assim, sua construção permaneceu excessivamente concentrada, com pouca abertura para que outras forças, coletivos e estudantes participassem efetivamente da elaboração e condução do processo. Trata-se de um limite recorrente: mesmo iniciativas politicamente interessantes e que contavam com apoio mais amplo de outros setores acabavam restringidas por uma lógica ensimesmada de construção.
Ao longo do último período, buscamos contribuir de maneira concreta com a reorganização do movimento estudantil a partir das bases: nos espaços do CEB, nas lutas para construir a pauta do HU/EBSERH, nos coletivos, nos centros acadêmicos e em diversas mobilizações cotidianas da universidade. Não foram poucas as vezes em que cobramos maior articulação e construção unitária e procura por essas iniciativas, buscando superar na prática nossas divergências – e isso das mais diversas formas, sempre prezando pelo chamado amistoso ou ao menos a cobrança justa e consequente. Porém, muitas vezes, predominou um entendimento segundo o qual a construção ou discussão de determinada pauta só interessava quando resultava em ganhos imediatos e diretos para a organização partidária sobretudo, e não com a centralidade no movimento e na luta mais profunda contra o fascismo.
Com isso, queremos dizer que, ao invés de consolidar trincheiras coletivas e fortalecer um campo alicerçado no princípio da luta antifascista no contexto da UFSC, prevaleceu frequentemente uma prática de centralização e baixa disposição de socializar, de democratizar de fato, construções que não estivessem diretamente sob seu protagonismo ou resultados positivos imediatos. Esse tipo de orientação não apenas dificulta o avanço organizativo do movimento estudantil, mas também limita sua capacidade de oxigenar suas lideranças, ampliar sua inserção na base e consolidar processos duradouros de apropriação e mobilização política.
Diante desse cenário, os desafios colocados para o próximo período permanecem, em grande medida, muito similares àqueles identificados por nós no início da gestão. Pautas centrais como o Restaurante Universitário, a reforma do Centro de Convivência e a construção do Congresso Estudantil da UFSC (CONUFSC) exigem não apenas continuidade, mas uma reavaliação das estratégias adotadas, junto de uma formulação e amplitude de mobilização mais profunda que não pode se bastar em uma ou outra entidade, em uma ou outra organização. A reconstrução do movimento estudantil passa necessariamente pela organização em torno de pautas que dialoguem com a realidade concreta dos estudantes e que tenham potencial de mobilização mais vigoroso, e assumam em sua construção um trabalho coletivo real, não sob o cupulismo nem sob a autodemarcação e busca por protagonismo que desvia dos objetivos da categoria e dos interesses populares.
Disputas e perspectivas de projetos para a UFSC: construir a unidade e conquistar vitórias com a categoria estudantil
A resposta que temos construído a essa limitação de concepção e modo de fazer política, desde o programa e a prática que consolidamos no processo de organização da chapa Nova Aurora – segunda colocada na eleição de 2024 e a mais votada no campus Trindade, onde temos trabalho consolidado –, e que aprimoramos até hoje, é a de priorização de um projeto vinculado ao que mais necessitamos na universidade enquanto estudantes. Mais que um programa, uma construção enraizada, verdadeiramente referenciada nas bases, coletiva – e sempre prezando pela unidade consequente dos setores avançados na defesa da universidade e dos direitos do povo. Nisso, centramo-nos em disputar o que é mais fundamental: o sentido de estar na UFSC, do conhecimento que produzimos, de para quê e a quem é orientado todo o trabalho artístico, cultural, científico, tecnológico e tanto mais feito por nossa comunidade. Disputamos, ainda, o próprio espaço da UFSC, seu papel na vida da cidade, do país e do estado, e como devemos nos apropriar disso enquanto nosso, do nosso povo.
Da graduação à pós, temos denunciado o esvaziamento da UFSC sob o avanço da evasão (ou, em muitos casos, expulsão), do desmonte das políticas de permanência (por falta de orçamento) e do regime híbrido das aulas às sessões dos órgãos deliberativos. Temos impulsionado, contribuindo ou apoiando a organização dos diversos coletivos, especialmente no Movimento Negro, em resposta às agressões que vivemos e em construção mais próxima às entidades estudantis, reivindicando o direito de atuação dessas parcelas nesses espaços, numa interlocução de forma orgânica, pautando nos coletivos as questões gerais construídas nas entidades (e vice-versa). Nesse sentido, lutado junto pela garantia da permanência estudantil, na disputa por políticas de assistência, promoção da igualdade e combate às opressões, tal qual na formação de uma nova leva de militância negra, trans, indígena, mãe e de outras parcelas, que vimos se forjar inclusive dirigente dos meios políticos estudantis no último período.
Temos ainda denunciado e atuado para transformar essa realidade em que o convívio sadio, seguro e inventivo na universidade é afetado porque nós estudantes sequer nos sentimos pertencentes a ela, como já foi noutros tempos. Enquanto trabalhadores que estudam e não passam muito tempo vivenciando o ambiente universitário como antigamente, também não vemos uma universidade que se apresenta como um lugar convidativo e acolhedor para se estar. Deslocamo-nos para as aulas e retornamos para casa logo em seguida, algo que dificulta a integração, a troca de ideias e a ocupação de um espaço em que muitos lutaram para estar. Lutamos, enfim, para que a universidade cumpra um papel enquanto espaço público de assegurar o direito à cidade e a participação democrática de sua comunidade; que, mais do que as contradições e os problemas da cidade, também expressa suas riquezas e vivacidade, o potencial de encontro e forja de novos horizontes, de coletividade, e não do individualismo e do conformismo ante o colapso mundial promovido pela ordem burguesa.
Em linhas gerais, o cenário diante do qual precisamos nos erguer em luta é de uma crescente tentativa de controle sobre os espaços de convivência, dificultando o acesso da população em geral e marginalizando grupos historicamente oprimidos. Exemplo é a censura a eventos acadêmicos, repressão a manifestações estudantis e tentativas de controle sobre a produção intelectual – como sobre gênero, sexualidade ou anti sionismo. Essas ações demonstram os esforços empenhados para restringir o pensamento crítico e plural que são base de uma universidade pública e de qualidade. Outro ponto importante de salientar é que a repressão a festas e eventos estudantis tem se intensificado por meio de mecanismos jurídicos, que buscam burocratizar ao máximo a organização dos eventos, trazendo condicionantes que dificultam sua realização. Desse modo, em vez de fomentar o uso responsável dos espaços, a UFSC tem adotado posturas punitivas que reforçam o controle e a restrição.
Nesse ritmo, sendo cada vez mais cercado e isolado, com centros fechados, o campus universitário reflete um processo crescente de controle estatal sobre as camadas periféricas da população – que, por um lado, exige certos padrões e comportamentos, mas, por outro, não oferece as condições necessárias para sua entrada e permanência nas instituições. A universidade, ao invés de se afirmar como um espaço aberto e inclusivo, transforma-se em uma fortaleza, desconsiderando seu papel de articulação de saberes populares, da produção científica, artística, cultural e tecnológica. Essa lógica de encastelamento vai contra a sua potencialidade de assumir um caráter popular, de uma cidade universitária, dinâmica, aberta à circulação da comunidade e à vivência do território, sendo espaço de disputa e ocupação pela diversidade de suas produções pintadas de povo.
Em combate a esse esvaziamento da universidade e à falta de pertencimento em seus espaços, então, é fundamental darmos a devida dimensão como problema urbano mais geral. Mais do que uma luta restrita à UFSC, enfrentar as políticas de cercamento se combina ao combate à especulação imobiliária que esgota as opções de moradia e alimentação nos arredores da universidade, à burocratização extrema para festas populares, ao desmonte das estruturas e políticas de promoção da arte e da cultura – ou perseguição das alternativas construídas pelo povo –, dentre outros aspectos que encerram o espaço formativo e o direito à cidade e à universidade por parte da comunidade.
Perpassa, então, uma qualificação das construções da comunidade apontando como os problemas de moradia e mobilidade são regra na cidade e impactam diretamente a universidade, tal qual a segurança, em que as soluções não se restringem a ações individuais ou a tutela e ostensividade policial nos campi. Refletindo todo o conjunto social, a UFSC sofre de problemas característicos do avanço fascista e do terror imposto para controle social, sob a lógica de punitivismo e condenação de determinados sujeitos com raça e condição psíquica bem demarcadas. Assim, devemos confrontar toda medida de asfixiamento orçamentário e desmonte do serviço público que limita da iluminação à contratação de efetivo de segurança humanizada, defendendo uma universidade aberta, que se faça extensão da rua e promova a ampla circulação e convívio das pessoas, em contribuição à segurança em geral e à sua vida como cidade universitária: pulsando arte, cultura, lazer e expressão do povo.
Nesse mesmo sentido, devemos lutar fielmente contra o sucateamento da estrutura pública e para que nenhuma iniciativa privada tome o espaço da universidade. Nossa prioridade deve ser a produção de conhecimento através do ensino, da pesquisa e da extensão em uma instituição pública a serviço do povo. Iniciativas como a que já citamos, da JBS, em produzir carne cultivada, devem ser denunciadas ao movimento para que haja alerta geral e uma defesa assídua da UFSC por parte da comunidade acadêmica. Mesmo o caso da EBSERH, que já se referendou como principal gestora do HU e encontra em nossa organização largo histórico de protagonismo em oposição, é pauta do movimento estudantil: devemos denunciar tal condição como prova explícita da refuncionalização, em desmonte do caráter de hospital-escola, das condições de estudo e trabalho, fortalecendo a elaboração e a denúncia à empresa e ao superintendente Spyros junto à comunidade universitária mas também toda aquela que acessa o hospital. A obscuridade e a desmoralização da IES são uma ameaça ainda mais perigosa quando as iniciativas privadas – ou no caso da EBSERH, uma empresa público-privada que transforma parte do patrimônio público em serviços mercantis – adentram as universidades e substituem, de forma usurpadora, um importante espaço de transformação social.
Ainda, é preciso disputar o espaço e assegurar retaguarda para a organização e a luta dos coletivos na universidade, tanto sob movimento político cotidiano quanto no respaldo institucional, atuando em contramão à criminalização destes, pelo amparo às suas mobilizações e manifestações, como as Viradas Antirracistas e as calouradas trans, promovendo a efetivação das políticas de cotas e anti opressões já aprovadas ou em desenvolvimento, bem como a facilitação de diálogos e de uso da estrutura universitária pelas instâncias representativas de cada agrupamento, como o FORCON, a Rede Trans, o Movimento Maloca e o coletivo MãEstudantes. Além disso, a atuação nos e junto aos coletivos deve indicar para a unidade no combate à refuncionalização da universidade e do fascismo. Devemos seguir dando passos largos na atuação conjunta de coletivos e entidades estudantis, visando a uma disputa geral da universidade que se entenda como parte de um projeto para toda a sociedade que erradique a exploração e a opressão de nossa gente.
Ou seja, desde as bases, precisamos impulsionar uma política que dispute o sentido geral dos cursos, dos seus currículos ao funcionamento político-administrativo, de modo a ampliar a participação estudantil na tomada de decisões e a verter a produção de conhecimento aos interesses populares. Nos órgãos colegiados, nos estágios, nas iniciativas como projetos de extensão, grupos PET, dos próprios editais de pesquisa e ações outras, precisamos de maior atenção e contribuição estudantil e popular, direcionando essas iniciativas para um diálogo aberto com o povo sobre as nossas necessidades mais sentidas, na construção de um novo horizonte de vida. Da promoção de ações auto-organizadas como temos feito ao tensionamento e conquista de maior atenção da universidade à nossa formação, sobretudo na extensão com caráter popular, podemos e devemos impulsionar atividades concretas que ensaiem novas perspectivas de relação da universidade com o povo, a seu serviço.
As lutas, enfim, mostram-se várias, e nada dos problemas que vimos é isolado: são expressões claras do que é a luta de classes em nossa universidade e a disputa contra um projeto das classes dominantes que nos impõe o higienismo, o individualismo, o empresariamento, a ideia de produtividade e de uma orientação da estrutura pública ao favorecimento de entes privados que não é compatível com a função social de uma universidade – e que não podemos deixar prevalecer na UFSC.
Diante disso, quaisquer iniciativas que se apresentem como alternativas mas não se centrem em reorganizar o movimento a partir de uma prática pública que seja humilde, autocrítica, (re)conhecedora de seus limites e erros, que promova a unidade e seja consequente em sua política, sabendo elencar os reais inimigos do povo e os desmascarar – organizando em compasso ações combativas para sua derrubada, bem como para a elevação da consciência, da organização e da conquista de direitos à comunidade universitária –, não bastarão. Muito além de forma, o problema geral do movimento estudantil brasileiro é de uma correlação de forças muito desigual e sob avanço da horda fascista, é fato, mas também, do lado de cá, de projeto; de programa, de princípios democráticos e compromisso de seus setores dirigentes com o que é mais caro a quem representam.
Por princípio, entendemos que as entidades representativas devem estar a serviço dos interesses de sua categoria, ainda que seu horizonte seja dirigi-la. No caso do DCE, isso significa organizar os estudantes para a luta, contribuir para sua formação política e os conectar às grandes questões do povo brasileiro. Em compasso, à revelia de nossas posições particulares, cumprir com o que é construído e deliberado pela maioria, democraticamente. Reside aqui um dos grandes embates que temos com um vastíssimo conjunto de organizações, que buscam colocar seus interesses acima daqueles do movimento, como vemos nas disputas da UNE. E diante disso, destacamos: a presença de organizações políticas no movimento é um elemento positivo, na medida em que expressa um esforço de compreensão mais ampla da realidade por parte daqueles que optam por engrossar suas fileiras. Quem ganha com a limitação, a perseguição, a retração organizativa do nosso povo, são as classes dominantes. No entanto, não podemos cair num vale tudo apenas por defender e incentivar a organização política mais profunda de estudantes. Essa presença de organizações e sua busca por direção do movimento não pode se sobrepor à finalidade da entidade nem confundir sua natureza, torná-la um aparelho de reprodução dos interesses partidários.
Reafirmamos, nesse sentido, a crítica sobre posições ou práticas errôneas que privilegiaram os interesses partidários às vontades e demandas do movimento, como na falta de democracia já explicitada ou, como exemplo bastante direto e recente, na falta de prontidão na defesa dos estudantes de Blumenau nas eleições da reitoria. Em compasso, destacamos nosso compromisso com a defesa da entidade e com a construção de sua legitimidade, independentemente das divergências existentes – por isso a disputamos, sob o direito inalienável, enquanto também estudantes, de cobrar a diretoria de nossa entidade representativa acerca de erros que comete; por isso, também, a disputamos buscando contribuir para o debate franco no movimento, apresentando propostas, como já tratamos acerca das várias sessões do CEB. Frisamos isso porque divergir e ter seriedade não é atacar a entidade, mas também não é se omitir da crítica. Mais que isso, porque sequer fizemos oposição, em momento algum, ao DCE ou à sua gestão.
Ao longo do último período, mantivemos uma postura de crítica responsável com o Correnteza/UP, combinada com disposição de unidade na ação e apoio às iniciativas que consideramos corretas. Essa postura seguirá orientando nossa atuação com esta e demais organizações aliadas, por compreendermos como fundamental superar essa lógica de autossuficiência de um ou outro setor para cumprir com tarefas que são de todo o conjunto da classe, de toda a geração que vive na quadra histórica em que vivemos. Ao mesmo tempo, é necessário travar a disputa por uma direção do movimento estudantil que rompa com práticas de cupulismo e partidarização, afirmando a centralidade da participação estudantil, da articulação entre lutas parciais e estratégia geral, e do aprofundamento da compreensão sobre a universidade e do potencial de incidência nas lutas conjunturais – e mais: de transformação social – que reside nesse espaço.
Defendemos, nesse sentido, o compromisso com a realização do CONUFSC como espaço fundamental de síntese política e organizativa, capaz de elevar o nível de elaboração coletiva do movimento. Trata-se de uma iniciativa estratégica em um contexto que exige maior compreensão da universidade em sua totalidade – tanto em sua estrutura institucional quanto nas formas concretas de organização da luta. Para tanto, mas não apenas, defendemos também um DCE comprometido com a rearticulação dos centros acadêmicos e com a criação de novos espaços de participação que deem vazão às lutas que emergem no cotidiano universitário, para além das entidades formais. Isso deve ser uma política permanente da entidade, e não algo condicionado a ganhos imediatos de gestão.
Por fim, é fundamental demarcar que nossas críticas não se confundem, em hipótese alguma, com as posições dos setores que atacam o movimento estudantil, o DCE e suas diretorias recentes ou a própria universidade pública em sua estrutura atual. Não abrimos espaço para que uma avaliação crítica seja instrumentalizada por forças oportunistas ou reacionárias, forças essas que têm dado passos inclusive na perseguição de nossa militância e mais figuras do movimento popular. Nossa disputa se dá no interior do campo que defende a universidade pública, gratuita e disputada para cumprir seu caráter popular – contra o privatismo e os discursos anti povo, e capaz de atender aos interesses do povo brasileiro.
Cientes das limitações mesmo na esquerda, pautamos essa superação dos problemas e reconstrução do ME não só no debate democrático, da livre, ampla e substantiva participação estudantil, mas qualificando e guiando isso por um programa que eduque e mobilize as bases em luta pelo que mais demandam, construindo isso coletivamente e contornando hegemonismos e autoconstruções que encastelem o ME, ou denuncismos e “radicalismos” que nada vão à raiz, mas sim fragmentam e fragilizam a categoria. Com longa tradição na universidade e confiança na constante formação de novas levas defensoras de um projeto emancipatório para o povo, apostamos nessa disputa para que a UFSC siga sendo um exemplo de construção democrática e em unidade, e não arredamos pé do trabalho para que isso se concretize.
Destacamos isso pois, diante do avanço do fascismo, a responsabilidade das organizações do movimento estudantil se amplia. Isso exige mais do que declarações formais de unidade: exige uma prática política orientada por princípios claros e que se materialize no cotidiano da luta. A unidade necessária não pode ser abstrata, nem fruto de acordos meramente eleitorais descolados da realidade das bases. Ela deve se expressar na capacidade de organizar os estudantes em torno de pautas concretas, de sustentar processos coletivos e de dar consequência às tarefas colocadas no movimento. Nesse sentido, é preciso compreender que a unidade não se constrói apenas no plano das formulações, mas, sobretudo, na experiência viva do movimento. Como apontaram Marx e Engels, “cada passo do movimento real é mais importante do que uma dúzia de programas”. Isso significa que a consistência de uma linha política se prova na sua capacidade de produzir organização, mobilização e avanços concretos, ainda que parciais. A unidade que defendemos é, portanto, aquela que se forja na luta, que articula diferentes setores em torno de objetivos comuns e que se orienta por um horizonte estratégico de construção de uma Universidade Popular, sem abrir mão da disputa e das mediações necessárias.
É com esse entendimento que nos colocamos para o próximo período: afirmando a necessidade de continuar na reorganização do movimento estudantil da UFSC sobre bases mais sólidas, democráticas e enraizadas na realidade concreta dos estudantes. A tarefa colocada não é simples, nem se resolve por atalhos organizativos ou formulações abstratas. Ela exige capacidade de leitura da conjuntura, firmeza de princípios e disposição para construir, no interior das contradições existentes, processos reais de mobilização e organização.
Seguiremos atuando para que o DCE cumpra seu papel enquanto instrumento de luta de todas as pessoas estudantes, contribuindo para a rearticulação das entidades de base, para o fortalecimento de espaços coletivos de deliberação, para a construção de uma agenda que dialogue com as necessidades concretas da universidade, entendendo que estas não se dissociam das pautas da cidade. Ao mesmo tempo, manteremos nossa postura de crítica responsável e de unidade na ação, compreendendo que é na prática do movimento que se testam as linhas políticas e se consolidam os avanços possíveis.
Mais do que nunca, será decisivo afirmar uma direção política capaz de combinar a luta pelas demandas imediatas com a construção de um horizonte estratégico para a universidade. É nesse terreno que se definirá a capacidade do movimento estudantil de superar seus limites atuais e se colocar, novamente, como sujeito ativo na disputa pelos rumos da universidade pública e de sua função social no país. Não temos tempo a perder: a nossa luta é agora!